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República Democrática do Congo

Dra. Tathy, de MSF, consulta um paciente que não é suspeito de ter Ebola em uma clínica móvel no vilarejo de Bobua, na província de Équateur. RDC, outubro de 2020. © Caroline Thirion/MSF
República Democrática do Congo
Paises em que MSF atua

A COVID-19 trouxe um fardo adicional à República Democrática do Congo (RDC), um país com imensas necessidades médicas causadas por anos de sobreposição de crises e um sistema de saúde frágil e subfinanciado.


Apesar da escalada de conflitos violentos e das restrições impostas pela pandemia, Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestou assistência humanitária e médica vital em 16 das 26 províncias da RDC. Nossos serviços incluíram assistência médica geral e especializada, nutrição, vacinação, cirurgia, cuidados materno-infantis, apoio médico e psicológico para vítimas de violência sexual e pessoas vulneráveis, bem como atividades de tratamento e prevenção para HIV/Aids, tuberculose (TB) e cólera. Em 2020, também respondemos à maior epidemia de sarampo da RDC e a dois surtos simultâneos de Ebola, além da COVID-19, que custou 591 vidas até o final do ano.




COVID-19

O impacto da pandemia foi sentido em todos os 14 projetos de MSF e nas 28 intervenções de emergência na RDC. Na capital Kinshasa, cidade mais atingida pela doença, foi oferecido atendimento emergencial, inclusive tratamento, no hospital Saint-Joseph, entre abril e setembro. Além disso, nossas equipes lançaram uma campanha no Facebook para abordar a falta de informação, que havia gerado desconfiança, rejeição e, às vezes, reações violentas em relação à equipe médica. Nas províncias onde realizamos Shapeprojetos regulares, as instalações foram adaptadas para garantir a continuidade do atendimento, inclusive para os 2.093 pacientes do hospital Kabinda, apoiado por MSF, que se dedica ao tratamento de HIV/Aids e TB avançados.


Sarampo

Enquanto grande parte da atenção do mundo concentrava-se na pandemia da COVID-19, a RDC ainda vivia o maior surto ativo de sarampo do mundo, que começou em meados de 2018. Embora o surto tenha sido declarado encerrado em 25 de agosto, houve um aumento de casos após essa data nas províncias de Mongala, Équateur, Nord-Ubangi e Sankuru, e MSF manteve a realização das campanhas de vacinação em massa e o tratamento de pacientes com complicações. De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 70.652 casos confirmados e relatadas 1.023 mortes entre janeiro e agosto de 2020.


Ebola

No leste, o 10o e maior surto de Ebola na história do país foi declarado encerrado em 25 de junho. Até então, havia infectado 3.470 pessoas e custado 2.287 vidas. MSF apoiou a resposta, fornecendo cuidados em centros de tratamento e trânsito, oferecendo cuidados não relacionados com o Ebola, colaborando no programa de vacinação e distribuindo informações de promoção da saúde. Quando o 11o surto foi declarado na província de Équateur, em 1º de junho, as equipes de emergência sabiam, por experiência anterior, que um alto grau de descentralização e recursos logísticos consistentes seriam necessários, em razão da ampla distribuição de casos, questões de acessibilidade e aceitação, bem como forte preferência por cuidados de saúde baseados na comunidade. Um modelo descentralizado de cuidados de saúde foi gradualmente implementado, em que equipes móveis foram enviadas para tratar pacientes em áreas de difícil acesso. O esforço de resposta conjunta utilizou as mais recentes ferramentas médicas, aumentou a capacidade do laboratório e criou unidades de isolamento temporário em nível comunitário. Quando o surto foi declarado encerrado, em 18 de novembro, havia 118 casos confirmados e 55 pessoas mortas — uma taxa de 42,3% de casos fatais, que foi significativamente inferior aos 66% observados durante o surto anterior. Em 2020, MSF tratou 199 pacientes de Ebola.


Violência sexual

O nível de violência sexual permaneceu extremamente elevado na RDC em 2020, tanto nas províncias afetadas por conflitos ativos quanto naquelas consideradas mais estáveis. Durante o ano, MSF prestou assistência médica e psicológica às vítimas de violência sexual em Kasai-Central, Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Maniema e Haut-Katanga. Embora o número de vítimas que procuram atendimento nas unidades que apoiamos seja alto, acreditamos em uma significante subnotificação do problema. Em 2020, mais da metade das pessoas que receberam atendimento médico e psicológico em uma instalação apoiada por MSF, ou de equipes de alcance comunitário de MSF, foi atacada por agressores armados. Nas áreas onde trabalhamos, encontramos obstáculos que dificultam o acesso ao atendimento aos pacientes, como conflito armado, falta de infraestrutura e medicamentos, estigmatização, vergonha e medo de represálias. Durante o terceiro trimestre do ano, 66% das vítimas de violência sexual procuraram atendimento 72 horas após a agressão. Isso permitiu que tivessem acesso à profilaxia pós-exposição para prevenir o HIV; contracepção de emergência; antibióticos para prevenir infecções sexualmente transmissíveis; e vacinas contra tétano e hepatite B. Receberam também apoio psicológico e tratamento para lesões físicas.


Assistência médica geral e especializada

Nas províncias de Ituri e Kivu, que têm sido atormentadas por conflitos há anos, MSF manteve cuidados de saúde gerais e especializados em projetos de longo prazo, garantindo a continuidade dos cuidados que salvam vidas ao responder a epidemias e deslocamento em massa, entre outras emergências.

No entanto, a escalada da violência em 2020 e seu impacto sobre nossas equipes que operam em algumas das áreas afetadas levaram a uma redução em nossas atividades e nossa capacidade de alcançar os pacientes. No território de Masisi, em Kivu do Norte, onde trabalhamos há mais de uma década, a prestação de serviços de saúde por meio de clínicas móveis, atendimento comunitário e serviços de ambulância foi reduzida após um incidente que afetou pacientes e equipes de saúde. Em Kivu do Sul, as equipes de MSF enfrentaram vários incidentes no território de Fizi em 2020. Esses foram os últimos de vários outros nos últimos anos e nos obrigaram a tomar a decisão relutante de reduzir nossa presença em Fizi e entregar para as autoridades todas as nossas atividades, exceto os serviços essenciais. Durante 2020, passamos a considerar como adaptar nossa forma de trabalhar, para que possamos manter nossa assistência às pessoas necessitadas, sem expor nossos pacientes e funcionários aos altos riscos que atualmente enfrentamos.


Consultas ambulatoriais
Vacinações contra o sarampo em resposta a um surto
Pacientes de malária tratados
Consultas e internações
Intervenções cirúrgicas
Pessoas tratadas por violência sexual
pessoas que receberam tratamento por causa de violência física intencional
Pessoas tratadas para cólera
Pessoas com HIV avançado sob cuidados de MSF
1694100
567.800
680.700
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