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Líbia

Profissional da equipe de MSF conversa com homens detidos no centro de detenção de Abu Salim em Trípoli, na Líbia. (Foto: Guillaume Binet/Myop)
Líbia
Paises em que MSF atua

Em 2019, a retomada do conflito na Líbia exacerbou o sofrimento de migrantes e refugiados presos ali sem proteção ou assistência. Muitos que tentaram fugir pelo mar Mediterrâneo foram forçados a voltar.

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) existem mais de 355 mil pessoas deslocadas internamente e quase 50 mil refugiados registrados no país.

Em 2019, Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou homens, mulheres e crianças que haviam sido arbitrariamente detidos em centros de detenção oficiais administrados pelas autoridades líbias, bem como aqueles que escaparam de prisões clandestinas administradas por traficantes. Nossas equipes também prestaram atendimento às pessoas que foram interceptadas no mar pela guarda costeira líbia financiada pela UE e forçadas a voltar para a Líbia, o país de onde tentavam fugir.

Nos centros de detenção em Trípoli, Misrata, Khoms, Zliten e Dhar El-Jebel, as equipes médicas de MSF trataram principalmente condições médicas resultantes ou agravadas pelas péssimas condições de higiene. As instalações superlotadas não têm água potável, latrinas ou ventilação suficientes, e os detidos têm acesso limitado a assistência médica. Tratamos as pessoas contra sarna, piolhos e pulgas, além de doenças infecciosas como a tuberculose (TB), que se espalham facilmente em condições precárias. Em Dhar El-Jebel, iniciamos uma intervenção para 500 pessoas detidas no centro, depois de 22 mortes por tuberculose. Além disso, nossas equipes trataram pacientes com desnutrição resultante da falta de comida nos centros e realizaram atividades de saúde mental, apoiando pessoas que viviam com o trauma da detenção por tempo indeterminado.

Acredita-se que a maioria dos migrantes e refugiados esteja detida em prisões não-oficiais, fora do alcance e da vista. Em Bani Walid, prestamos assistência médica às pessoas que conseguiram escapar do cativeiro – muitas haviam sido torturadas.

No dia 2 de julho, um ataque aéreo atingiu o centro de detenção de Tajoura e matou instantaneamente pelo menos 53 pessoas – o ataque mais mortal contra civis desde o início do conflito. Enviamos ambulâncias e uma equipe médica para auxiliar os sobreviventes, incluindo equipes de saúde mental para apoiar as pessoas que ficaram no esquecimento e aterrorizadas por suas vidas.

Nas áreas portuárias de Khoms, nossas equipes ofereceram cuidados gerais de saúde a pessoas que haviam sido forçadas a voltar à Líbia, incluindo menores de idade e solicitantes de asilo, e a sobreviventes de naufrágios.

O fechamento de centros de detenção levou a um aumento do número de migrantes e refugiados que vivem nas ruas. Mais e mais pessoas estão abandonadas e vulneráveis ao tráfico humano, violência, trabalho forçado e exploração. À medida que o conflito se intensificou e a deterioração dos serviços de saúde pública começou a afetar os cidadãos líbios, também realizamos consultas ambulatoriais em Misrata.

Além de continuar a denunciar a situação inaceitável nos centros de detenção oficiais e não-oficiais, MSF pediu à ONU que intensificasse sua intervenção na Líbia para fornecer proteção e assistência aos refugiados, solicitantes de asilo e migrantes presos no país. Também defendemos o fim imediato dos retornos forçados e, em última instância, a evacuação de todos os migrantes e refugiados de um país em guerra para um local em segurança.

Dados de 2019:

Consultas ambulatoriais
Consultas pré-natal
Pessoas iniciaram tratamento para tuberculose
22.500
1.520
210

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