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Haiti

Equipe de MSF conversa com os residentes do vilarejo Planton, no Haiti, enquanto fazem uma visita de reconhecimento para a distribuição de ajuda às áreas mais remotas de Jérémie e Cayes, em janeiro de 2017. (Foto: Jeanty Junior Augustin)
Haiti
Paises em que MSF atua

O aumento das tensões prejudicou gravemente todos os aspectos da oferta de assistência médica no Haiti ao longo de 2019, e Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou um número cada vez maior de pacientes, especialmente por traumas e ferimentos relacionados à violência.

Desde meados de 2018, o Haiti vive uma grave crise política e econômica. Em 2019, isso levou a manifestações maciças que fecharam grande parte do país durante meses, enquanto barricadas eram erguidas nas ruas e os manifestantes entravam em confronto com a polícia. Muitas instalações médicas públicas lutavam para continuar funcionando devido à escassez de medicamentos, bolsas de sangue, oxigênio, eletricidade, combustível e pessoal. Os centros médicos privados também foram gravemente afetados e forçados a reduzir o pessoal ou simplesmente fechar. Durante o pior da violência, instalações médicas foram saqueadas e profissionais de saúde e ambulâncias atacados.

Nas cinco instalações médicas onde MSF trabalha em Porto Príncipe e Porto Piment, nossas equipes observaram os efeitos da crise em primeira mão. Num cenário de rápida deterioração, tivemos que lidar com a crescente demanda por cuidados.

Serviços de saúde em Porto Príncipe

Em novembro de 2019, para atender as pessoas que precisavam de cirurgia vital, abrimos um hospital de trauma no centro cirúrgico de Nap Kenbe, anteriormente administrado por MSF, no bairro de Tabarre. Expandimos rapidamente a capacidade para 50 leitos e, só nas primeiras cinco semanas, atendemos 574 pessoas em nossa triagem. Destes, 150 pacientes foram internados com ferimentos graves, 57% deles com ferimentos a bala.

Nosso centro de emergência e estabilização em Martissant, uma favela gravemente afetada pela violência de gangues, atendeu 29.452 pacientes no pronto-socorro, dos quais 2.669 tiveram ferimentos relacionados com a violência. Os pacientes que precisavam de cuidados especializados foram encaminhados para outros hospitais, incluindo o hospital da Universidade Estadual do Haiti, que apoiamos com a doação de equipamentos e suprimentos médicos, reabilitação de instalações e treinamento de pessoal.

Mantivemos a gestão do hospital Drouillard, com 40 leitos, o único centro especializado em queimaduras do Haiti, localizado na favela de Cité Soleil. Em 2019, internamos 580 pacientes e realizamos 27.800 consultas ambulatoriais. Por causa do fechamento de escolas durante as manifestações, vimos um aumento do número de crianças feridas em acidentes domésticos, por exemplo, enquanto brincavam muito perto de fogões. Também tratamos vários pacientes com queimaduras de incêndios nas ruas ou bombas incendiárias usadas por manifestantes.

Além disso, MSF prestou apoio a sobreviventes de violência sexual e de gênero em dois hospitais públicos e em nossa clínica Pran Men'm, no bairro Delmas 33. Em 2019, tratamos mais de 1.260 pacientes. O número de pacientes diminuiu durante os meses em que a cidade ficou fechada, porque a insegurança impedia as pessoas de procurar atendimento. No Haiti, a violência sexual continua sendo uma emergência médica negligenciada e subnotificada.

Port-à-Piment

No sudoeste do país, apoiamos a emergência e a maternidade no posto de saúde Port-à-Piment. Durante o ano, nossa equipe assistiu 1.070 partos e prestou serviços de planejamento familiar a mais de 1.420 pacientes. Também apoiamos centros de saúde em Côteaux e Chardonnières doando suprimentos, treinando equipes e organizando encaminhamentos.

Pessoas tratadas por violência física intencional
Pessoas tratadas por violência sexual
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