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MSF reforça atendimento de casos graves de COVID-19 na zona leste de São Paulo

04/08/2020
Apoiamos o Hospital Municipal Tide Setúbal, no bairro de São Miguel Paulista, e levaremos cuidados de saúde a moradores de duas comunidades da região
MSF reforça atendimento de casos graves de COVID-19 na zona leste de São Paulo

Foto: Gabriel Toueg/MSF

A organização de ajuda humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) abriu oito leitos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, bairro da zona leste de São Paulo, região onde vem trabalhando com pessoas em situação de vulnerabilidade social desde o começo de julho.

Com uma equipe total de 35 profissionais, MSF é responsável pela gestão integral da nova ala da unidade de saúde que atende exclusivamente casos de COVID-19. A capital paulista passou a marca de 230 mil casos de contágio pelo novo coronavírus desde fevereiro e registrou mais de 9,7 mil óbitos pela doença, segundo dados divulgados no domingo (02/08) pela Prefeitura.

A pandemia ainda não está perto de acabar no Brasil, com o número de casos confirmados diários superior a 25 mil, e uma taxa média de mortalidade de 3,5%. A situação é especialmente preocupante nas zonas mais periféricas, onde o número de pessoas infectadas com o novo coronavírus é alto e o acesso a cuidados de saúde costuma ser mais limitado.

Em São Miguel Paulista, bairro que faz fronteira com outros municípios da região metropolitana de São Paulo, as internações em UTI do Hospital Municipal Tide Setúbal chegaram a alcançar 98% da capacidade. De acordo com os dados registrados pela direção do hospital, cerca de 23% das pessoas internadas com menos de 60 anos não resistiram à infecção entre fevereiro e julho. Do total de pacientes admitidos no hospital em estado grave, desde o primeiro caso de COVID-19 em fevereiro deste ano até o início do mês passado, 33% tinham menos de 39 anos.

A médica Ana Leticia Nery, coordenadora de MSF em São Paulo, observa que a pandemia expôs as desigualdades sociais, especialmente no acesso aos cuidados de saúde: “Vemos uma taxa elevada de casos entre pessoas jovens, negras e de baixa renda. Muitas são moradoras de comunidades na zona periférica da cidade e dos municípios vizinhos. Isso é um indicativo de que essas pessoas estão mais expostas ao contágio e necessitam de mais cuidados de saúde nas suas regiões”, ressalta Nery.

Para melhorar o acesso aos cuidados de saúde a essa população, MSF também vai distribuir kits de higiene, kits de limpeza e instalar pontos para lavagem das mãos nas comunidades de Jardim Lapena e Jardim Keralux, às margens do Rio Tietê na periferia da zona leste de São Paulo. Em ambas também estão previstas atividades para identificação de casos da doença e de promoção de saúde, que consiste em levar informações sobre a COVID-19 para prevenir o contágio.

Além do trabalho na zona leste da capital paulista, MSF também administrou até o início de agosto as atividades médicas das instalações para triagem de casos suspeitos e tratamento de pacientes com COVID-19 da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMADS) em São Paulo. Os equipamentos - como são chamadas essas instalações temporárias – nos quais MSF atuou têm capacidade para atender 136 pacientes no total, em situação de vulnerabilidade social, tais como pessoas em situação de rua. MSF continua a desenvolver treinamentos com profissionais de saúde de instituições voltadas para pessoas privadas de liberdade, que trabalham com usuários de drogas e também com equipes de casas de repouso para idosos. Desde o início do projeto na Grande São Paulo, em abril, até o início de julho, MSF atendeu aproximadamente 5,8 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.

MSF no Brasil

Além de São Paulo, desde o início da pandemia MSF vem realizando atividades em Roraima e no Amazonas. As ações incluem atendimento médico para casos graves e moderados, gestão de centros de isolamento para casos leves e assintomáticos, triagem e ações de educação em saúde em locais frequentados pela população de rua e outros grupos vulneráveis e treinamento de profissionais de saúde. A evolução da pandemia é constantemente monitorada por MSF e a organização busca direcionar da melhor maneira possível os recursos para os locais onde há maior necessidade, mesmo diante de um cenário de grande restrição de recursos humanos e materiais na área de saúde.

Sobre Médicos Sem Fronteiras

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum acesso à assistência médica. Oferece ajuda exclusivamente com base na necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou convicção política e de forma independente de poderes políticos e econômicos. Também é missão de MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em seus projetos.

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