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Usando nossa voz para mobilizar mudanças

Renata Viana compartilha sua experiência após atuar no departamento de assuntos humanitários de MSF em projetos na República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Venezuela
19/09/2021
Usando nossa voz para mobilizar mudanças

Foto: Arquivo Pessoal

“No início de 2020, estava eu na República Democrática do Congo (RDC) refletindo sobre o sistema de vacinação contra o sarampo quando a COVID-19 mudou as prioridades em todo o planeta. Alguns meses depois, fui para o Sudão do Sul, onde buscava formas de ajudar na luta contra a malária. Agora, com o final de 2021 se aproximando, escrevo da Venezuela com pensamentos mais genéricos relacionados aos diversos obstáculos de acesso à saúde. E o que esses três locais têm em comum?

Tanto na RDC (já contei um pouco aqui), quanto no Sudão do Sul e na Venezuela, encontramos prorrogadas crises sócio-econômica-políticas que fragilizaram seus respectivos sistemas de saúde, provocando enormes vulnerabilidades em suas populações. E esses três países encontram-se dentre os mais de 70 onde atua Médicos sem Fronteiras (MSF), organização médico-humanitária neutra, imparcial e independente que visa leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias e chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.

Eu trabalho com MSF desde 2017 e sou uma das responsáveis pela área de assuntos humanitários e “advocacy”, apoiando nossos projetos, buscando formas de influenciar mudanças positivas nos contextos onde trabalhamos. Dentre minhas atividades regulares, elaboro e ajudo a implementar estratégias para mobilizar autoridades e/ou outras organizações que possam eventualmente oferecer assistência. As questões variam bastante e costumam ser mais evidentemente vinculadas às necessidades de melhoria na saúde, tais como: acesso a tratamento médico e/ou a medicamento, vacinação, acesso à comida e/ou água potável, saneamento básico, abrigo etc.

Os contextos também variam, podendo ser situações de conflitos armados, epidemias, calamidades naturais, fluxos de populações em contextos de refugiados e/ou pessoas deslocadas internas, dentre outros que, de diversas formas, causam ou aumentam as fragilidades de saúde das pessoas em cenários como esses.

Na RDC, nosso principal discurso durante o período em que eu estava lá foi ligado a pedir melhorias no sistema nacional de vacinação antissarampo, epidemia recorrente que, a cada ano, mata milhares de crianças. No Sudão do Sul, focamos bastante nas necessidades em campos de deslocados internos, mas também investimos muito em pressionar por uma resposta na prevenção contra a malária, uma enfermidade que se repete de maneira sazonal, acompanhando a anual temporada de chuvas. Na Venezuela, onde estou agora, temos buscado influenciar mudanças gerais na esfera do acesso à saúde e à água e ao saneamento. Nos três países mencionados, MSF oferece atendimento médico e/ou apoio às estruturas públicas de saúde locais, principalmente na esfera da saúde primária de tratamento e prevenção de diversas enfermidades, dentre outras atividades médicas especializadas.

Como já disse algumas vezes, não sou médica (veja mais aqui e aqui), mas dou suporte aos profissionais de saúde de MSF para que logremos complementar a assistência médica com  nossa voz para chamar a atenção sobre as necessidades que vemos mundo afora. O objetivo em todos os locais onde atuamos é trazer alívio imediato no âmbito da saúde para pessoas em necessidade, ao mesmo tempo em que expomos nossas experiências transmitindo informação e mensagens, esperando mobilizar mudanças positivas numa esfera ainda mais ampla para essas populações”.

Além de atuar no departamento de assuntos humanitários de MSF, Renata também atuou como gerente de recursos humanos e finanças no Quênia, em 2017, no Haiti, em 2018, e na Turquia, em 2019.

 

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