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Malária continua sendo principal causa de morte infantil na RCA

19/09/2020
MSF lançou uma campanha de tratamento preventivo no início da estação das chuvas no país
Malária continua sendo principal causa de morte infantil na RCA

Foto: Lorène Giorgis/MSF

O hospital em Batangafo - uma cidade de 31 mil habitantes, incluindo 22 mil deslocados de outras partes da República Centro-Africana (RCA) - está repleto de atividades. Embora um foco importante seja as medidas de prevenção e controle de infecções para identificar e isolar casos suspeitos de COVID-19, outra doença mortal tem um impacto enorme na vida das pessoas da região.

Setembro é a estação das chuvas e quando a malária se torna mais mortal do que nunca na República Centro-Africana todos os anos. É a principal causa de morte de crianças menores de 5 anos de idade no país. Durante os períodos em que a transmissão da malária é alta, oito em cada dez consultas de pediatria no hospital apoiado por MSF em Batangafo ocorrem por complicações da doença, incluindo anemia e desidratação. Desde o início do ano, MSF tratou 39.631 casos de malária em Batangafo, em comparação a 23.642 no mesmo período de 2019. Um total de 1.074 crianças menores de 5 anos de idade foram internadas no hospital por causa da malária esse ano e 28 delas não sobreviveram.

“Meu filho está muito fraco por causa da malária, e os médicos disseram que ele está anêmico. Eles estão tentando estabilizar sua condição para evitar mais complicações, que podem ser fatais. Tenho tanto medo de perdê-lo”, diz Chancella Gbtoum, mãe de Yakota Abbias, de 5 anos de idade. Chancella e seu filho mais novo receberam medicamentos antimaláricos de MSF como medida preventiva. “Dei ao meu outro filho de 11 meses de vida o medicamento contra a malária que recebemos de MSF”, informa. “Eu sei que desta vez não vamos ficar doentes.”

Para mitigar o impacto da doença e proteger a comunidade, MSF lançou, no início da estação chuvosa, uma campanha direcionada de tratamento preventivo, com a administração em massa de medicamentos para malária. Para atingir o número máximo de pessoas e para que a população percebesse a importância desta iniciativa, a campanha ocorreu em três fases.

Em primeiro lugar, MSF aumentou a conscientização com a ajuda de líderes comunitários e da rádio local. Em seguida, a equipe foi de porta em porta para distribuir os medicamentos. E, por fim, voltou a cada casa para verificar se as pessoas haviam feito o tratamento e identificar possíveis efeitos colaterais.

Na primeira rodada da campanha, MSF ofereceu tratamento preventivo a 32.670 pessoas, incluindo 6.531 crianças e 135 mulheres grávidas. A próxima rodada da campanha está marcada para o final de setembro.

Ao levar o medicamento para as pessoas em suas próprias casas, foi evitado o risco de aglomeração nos locais de distribuição o que, potencialmente, poderia espalhar a COVID-19. As equipes de MSF também adotaram medidas de proteção, como usar máscaras e manter distância segura das pessoas.

O aumento de pacientes com malária não se limita a região próxima à fronteira com o Chade, mas está acontecendo em todo o país. "Durante a estação das chuvas, a malária assola comunidades que têm acesso limitado a cuidados de saúde e medidas preventivas. Todos os anos, vemos um aumento de casos em projetos de MSF na República Centro-Africana. Em 2019, atendemos 578.072 casos de malária em todo o país", afirma Carmen Terradillos, coordenadora-médica de MSF. "Receber tratamentos eficazes para a malária continua a ser muito difícil em um país que viveu anos de conflito e abandono. Os mosquiteiros são caros e estão fora do alcance de muitos.  A administração em massa de medicamentos é uma forma eficaz de prevenir complicações da malária.”

Moradores de Batangafo estavam ansiosos para proteger a si e seus familiares de uma doença que já matou muitas crianças nas comunidades. "Eu estou grávida e não quero pegar malária. É perigoso para o meu futuro filho”, comenta Félice. "Eu sei que estou mais vulnerável e preciso fazer o tratamento.”

Localizada na prefeitura de Ouham, no norte da República Centro-Africana, Batangafo tem sido local de tensões políticas, étnicas e religiosas por mais de uma década. A situação de segurança ainda é volátil e a instabilidade deve aumentar com as próximas eleições, marcadas para dezembro.

MSF trabalha em Batangafo desde 2006, apoiando o Ministério da Saúde no hospital local e nas áreas vizinhas, oferecendo atendimentos de emergência, cirurgias, maternidade, pediatria, tratamento para HIV/AIDS e tuberculose, atendimento a sobreviventes de violência sexual e serviços de saúde mental.

 

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